Por Redação Portal do Crente
Dados da Junta de Missões Mundiais revelam que o êxodo forçado pela guerra tem gerado um dos maiores movimentos de plantação de novas igrejas na história recente da Europa
Enquanto a Europa ainda lida com uma das maiores crises humanitárias desde a Segunda Guerra Mundial — com 4,3 milhões de refugiados ucranianos registrados na União Europeia até novembro de 2025, segundo o Eurostat —, a Igreja de Cristo tem escrito um capítulo surpreendente de fé, resiliência e missão. O que poderia ser apenas uma estatística de deslocamento forçado tornou-se um dos maiores movimentos de plantação de novas igrejas da história recente do continente.
De acordo com dados divulgados pela Junta de Missões Mundiais (JMM) durante o evento Proclamai 2025, refugiados ucranianos espalhados por 17 países europeus plantaram 147 novas igrejas desde o início do conflito. A informação foi compartilhada pelo missionário ucraniano Anatoliy Shmilikhovskyy, que trouxe um testemunho baseado no livro de Neemias, comparando a reconstrução dos muros de Jerusalém com a reconstrução espiritual que está ocorrendo na Europa por meio dos refugiados.
O mapa da expansão do Evangelho
Os números impressionam pela capilaridade e pelo alcance. A Alemanha lidera com 70 novas igrejas, seguida pela Polônia com 26, Suíça com 8, República Tcheca com 7, França e Espanha com 6 cada, Áustria com 4, e Holanda e Noruega com 3 cada. Bélgica, Finlândia, Grã-Bretanha e Portugal registraram 2 igrejas cada, enquanto Eslováquia, Estônia, Grécia e Romênia contabilizam 1 igreja cada.

“Tenho o endereço de todas essas congregações, nomes dos pastores, missionários e os lugares onde eles estão. Há igrejas que têm 10 membros e há igrejas que têm 300 membros”, testemunhou Shmilikhovskyy. “São comunidades plantadas pelos ucranianos que se refugiaram em outros países europeus. Eu não quero estar apenas assistindo à história que Deus está escrevendo no meu país.”
Igrejas transformadas e vidas restauradas
O fenômeno, no entanto, não se limita aos ucranianos. O Movimento de Lausanne, em uma análise aprofundada sobre o tema, documentou que a crise de refugiados tem gerado um avivamento em igrejas europeias que antes enfrentavam estagnação espiritual e numérica. Um pastor no norte da Alemanha confessou: “Começar um programa para alcançar os refugiados foi a melhor coisa que aconteceu nesta igreja nos últimos 50 anos e agora é a parte mais empolgante da nossa comunidade.”
Na Grécia, a realidade é igualmente impactante. Um pastor local informou que três quartos dos frequentadores de sua igreja são refugiados que se juntaram à congregação nos seis meses anteriores à pesquisa. Líderes de missões mostraram vídeos de batismos recentes e apresentaram dezenas de refugiados recém-convertidos, vindos de origens religiosas radicalmente diferentes, o que fortalece a expansão e favorece o surgimento de novas igrejas.
Ministério de compaixão e pregação do Evangelho
A ação da igreja em meio à crise de refugiados na Europa tem se destacado por unir duas dimensões inseparáveis do Evangelho: o cuidado social e a proclamação da fé. Bancos de alimentos, abrigos temporários, cursos de idiomas e assistência jurídica têm sido a porta de entrada para que milhares de refugiados encontrem não apenas acolhimento material, mas também esperança espiritual.
Mais de 100 igrejas de idioma árabe já funcionam na Europa, algumas fundadas antes da crise e outras especificamente em resposta a ela. Por compartilharem aspectos linguísticos e culturais com os refugiados, essas comunidades têm se mostrado extraordinariamente eficazes no acolhimento e na integração dos recém-chegados.
O teólogo Andrew Walls, citado pelo Movimento de Lausanne, observa que o centro do cristianismo está sempre em movimento, e que “as margens revitalizam o centro”. A história confirma essa tese: no passado, a imigração europeia levou o cristianismo aos confins da terra; agora, cristãos desses mesmos confins retornam para trazer renovação às igrejas europeias. Novas Igrejas estão surgindo para pregar o evangelho na Europa.
Um chamado à igreja brasileira
Para a igreja evangélica brasileira, os dados representam um poderoso lembrete de que Deus está escrevendo história por meio dos deslocados. O que o inimigo planejou para destruir — a guerra, o deslocamento forçado, a perda de lares e entes queridos — Deus tem transformado em oportunidade missionária. Novas igrejas seguem sendo plantadas para a Glória de Deus!
O missionário Shmilikhovskyy encerra com uma convocação direta: “Você tem que fazer um planejamento e servir a Deus.” A pergunta que fica para cada cristão é: qual tem sido o nosso papel nessa história? Vamos plantar novas igrejas pelo mundo!
Enquanto a Europa testemunha um reavivamento impulsionado por aqueles que perderam tudo, mas encontraram tudo em Cristo, a Igreja é desafiada a sair de suas zonas de conforto e enxergar, nos rostos dos refugiados, a imagem daquele que também não tinha onde reclinar a cabeça.
Links externos incorporados no texto:
- Junta de Missões Mundiais — 147 Igrejas Plantadas
- Movimento de Lausanne — Deus está renovando a Europa através dos refugiados
- Eurostat / Vatican News — 4,3 milhões de refugiados ucranianos na UE
- Conselho da UE — Solidariedade com a Ucrânia
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