Quando o assunto é perseguição religiosa, poucas histórias são tão marcantes e tão pouco contadas quanto a dos cristãos que deram a vida sob os regimes comunistas. Ao longo do século XX, a perseguição promovida por governos de orientação comunista matou milhões de fiéis, fechou milhares de igrejas e tentou silenciar o nome de Jesus em países como União Soviética, China e Coreia do Norte. Nesta matéria, o Portal do Crente reúne fatos históricos documentados, com fontes confiáveis, para que essa perseguição jamais caia no esquecimento e sirva de alerta para o presente.

O que foi a perseguição religiosa na União Soviética
A perseguição religiosa na União Soviética começou logo após a Revolução de 1917 e se tornou uma política oficial de Estado. Vinte anos depois da Revolução de Outubro, restavam apenas 100 igrejas das cerca de 60 mil que existiam antes do regime, e aproximadamente 15 mil sacerdotes foram assassinados, como registra a Fundação Pontifícia ACN. Era uma perseguição sistemática e planejada, que combinava prisões, torturas e trabalhos forçados em campos de concentração.
Sob o governo de Josef Stalin, que assumiu o poder em 1924, a perseguição tornou-se ainda mais cruel. Igrejas foram demolidas, pastores e padres executados, e Bíblias foram confiscadas e destruídas. O fundador da Portas Abertas, conhecido como Irmão André, visitou os cristãos da época e relatou o terror vivido pelos fiéis, conforme o artigo O que foi a União Soviética. Estima-se que essa perseguição tenha causado a morte de milhões de cristãos, como analisa a Gazeta do Povo ao investigar o histórico da URSS.
Os mártires do gulag e a fé que resistiu
Entre os episódios mais tristes dessa perseguição religiosa está o martírio de milhares de cristãos nos chamados gulags, campos de trabalho forçado espalhados pela Sibéria. Mesmo diante do frio, da fome e da violência, muitos internos mantiveram a fé em segredo, jejuando e guardando crucifixos e Bíblias, como lembra o Instituto Humanitas Unisinos ao recordar os “mártires do gulag”. Essa perseguição produziu heróis da fé assassinados por ódio ao cristianismo, como os sete bispos mortos sob a ditadura comunista e beatificados pela Igreja — história contada pela Aleteia.
A perseguição soviética não atingiu apenas o clero: leigos, professores, médicos e famílias inteiras foram perseguidos por professar a fé em Jesus. A Wikipédia documenta que a perseguição ocorreu por meio de leis que dificultavam toda atividade religiosa — um lembrete de que a perseguição religiosa pode começar de forma silenciosa e terminar em derramamento de sangue.
China: perseguição religiosa ainda presente
A perseguição contra cristãos não é apenas uma página do passado. Na China, o Partido Comunista trata o cristianismo como uma ameaça que deve ser rigidamente controlada, segundo a Portas Abertas. Menores de 18 anos não podem frequentar templos, e muitas igrejas optam por se reunir em segredo como igrejas domésticas. Essa perseguição religiosa inclui prisões, torturas e deportações de fiéis.
Casos recentes mostram cristãos presos na China e deportados para a Coreia do Norte por lerem a Bíblia, como noticiou a Brasil Paralelo. A perseguição religiosa na China é monitorada por organismos internacionais, incluindo a Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional, que apontou a colaboração entre os dois regimes contra os cristãos, conforme a Universal.
Coreia do Norte: o país mais perseguidor do mundo
A Coreia do Norte lidera há décadas a lista da Portas Abertas de países com mais perseguição religiosa. O regime comunista de Kim Jong-un trata qualquer manifestação de fé como crime. Segundo a Portas Abertas, a perseguição religiosa no país é marcada por paranoia ditatorial e opressão comunista, com prisões, tortura e campos de concentração.

Norte-coreanos que tiveram contato com cristãos são enviados a campos de prisioneiros políticos, como relatou a ACI Digital. A ACN descreve a perseguição religiosa no país como uma das mais brutais do mundo, onde a simples posse de uma Bíblia pode levar à morte. Estima-se que dezenas de milhares de cristãos estejam presos ou tenham sido executados por causa dessa perseguição.
Números que assustam: a perseguição religiosa hoje
Os dados atuais mostram que a perseguição religiosa segue viva e crescente. A Portas Abertas estima que mais de 360 milhões de cristãos enfrentam níveis elevados de perseguição e discriminação no mundo um em cada sete cristãos. No século XXI, mais de 1.600 cristãos foram mortos por causa da fé, conforme o Instituto Humanitas Unisinos. A perseguição religiosa não é um problema do passado; é uma realidade urgente.
O Jornal O São Paulo lembra que 327 milhões de cristãos vivem em países onde há perseguição, e 178 milhões em locais onde são discriminados por motivos religiosos. Somados, os números revelam que um em cada cinco cristãos está em países com perseguição religiosa ou discriminação. Esses dados reforçam a importância de orar e agir diante da perseguição.
O que a Bíblia diz sobre a perseguição
Diante da perseguição religiosa, a Palavra de Deus traz esperança. Jesus afirmou: “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus” (Mateus 5.10). A perseguição sempre fez parte da caminhada cristã, desde a Igreja primitiva até os dias de hoje. Os mártires do comunismo são testemunhas de que a perseguição religiosa não consegue apagar a fé.
O apóstolo Paulo também foi perseguido e escreveu que “todos os que querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Timóteo 3.12). Essa perseguição religiosa, porém, tem um propósito: fortalecer a Igreja e glorificar a Deus. Ao lembrarmos dos cristãos mortos pelo comunismo, somos desafiados a permanecer firmes diante de qualquer perseguição.
Como a Igreja pode responder à perseguição religiosa
A Igreja brasileira tem papel fundamental diante da perseguição religiosa mundial. O Domingo da Igreja Perseguida mobilizou mais de 17 mil igrejas e cerca de 1,7 milhão de brasileiros em oração pelos cristãos perseguidos, como destacou a Portas Abertas. Orar, apoiar e divulgar a perseguição são formas concretas de ajudar.
Além da oração, é possível apoiar organizações que atuam na perseguição religiosa, como a Portas Abertas e a ACN, que levam Bíblia, socorro e esperança aos cristãos perseguidos. Conhecer a história da perseguição e compartilhá-la também é um ato de memória e justiça. Que a perseguição religiosa do passado nos ensine a valorizar a liberdade de culto que temos hoje.
Por que lembrar a perseguição religiosa comunista
Lembrar a perseguição comunista não é apenas um exercício histórico. É um alerta. Quando o Estado tenta controlar a fé, a perseguição religiosa se instala. A história da União Soviética mostra como uma perseguição religiosa aparentemente “legal” evoluiu para o extermínio. Conhecer esse passado nos ajuda a reconhecer os sinais da perseguição religiosa no presente.
A perseguição religiosa também nos ensina sobre a resiliência da Igreja. Mesmo nos gulags, cristãos celebravam cultos em segredo. Essa perseguição produziu mártires cujo testemunho atravessou gerações. Ao contarmos essas histórias, honramos os que sofreram perseguição religiosa e fortalecemos nossa própria fé.
Que a perseguição religiosa vivida pelos cristãos do comunismo sirva de exemplo de coragem. Que possamos, como eles, permanecer fiéis em qualquer circunstância. A perseguição pode tirar a vida, mas nunca a esperança daqueles que estão em Cristo.
Por Leonardo Souza – Redação Portal do Crente
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