Um achado que atravessa milênios.
O que começou como mais um dia de trabalho na praia terminou em descoberta histórica de uma moeda cipriota de 2500 anos. O funcionário municipal Avi Chaprak, diretor-adjunto do Departamento de Praias de Ashdod, sul de Israel, encontrou algo que jamais imaginou enquanto revistava a areia em busca de objetos perdidos por banhistas: uma moeda cunhada há aproximadamente 2.500 anos, originária da antiga ilha de Chipre.
O caso, divulgado neste domingo (26 de julho de 2026) pela Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA), rapidamente ganhou repercussão mundial. A moeda — uma raridade — é do tipo conhecido como siglos, feita de metal com banho de prata, pesando cerca de 11 gramas. De um lado, traz a imagem de um carneiro deitado voltado para a esquerda. Do outro, a cabeça de um carneiro também voltada para a esquerda, inserida dentro de um quadrado incuso (rebaixado). As inscrições remetem ao antigo alfabeto cipriota.
Cunhada em Salamina, antiga cidade localizada na costa leste de Chipre, a moeda data de meados do século V antes de Cristo – precisamente o período em que o Império Persa dominava a região. A peça é considerada a primeira do tipo já encontrada em território israelense, conforme noticiou o The Times of Israel.
Moeda cipriota de 2500 anos. Uma descoberta incomum
O que torna o achado ainda mais especial não é apenas a antiguidade, mas o contexto. “Moedas deste tamanho e valor do período persa são raras no registro arqueológico”, explicou Yanniv David Levy, pesquisador e curador do Departamento de Moedas da Autoridade de Antiguidades de Israel. “Geralmente, moedas de prata deste tamanho não eram preservadas intactas. Com o tempo, eram cortadas em pedaços para uso como moeda local. Além disso, evidências desse uso são conhecidas principalmente em sítios do interior de Israel. A descoberta de uma moeda completa na área costeira é, portanto, incomum sob todos os aspectos e de especial importância histórica.”
Chaprak, que está acostumado a ajudar banhistas a localizar joias, chaves e pertences perdidos na areia, contou que a moeda chamou sua atenção por causa de seu brilho diferenciado. Ele a recolheu e, percebendo tratar-se de algo fora do comum, comunicou imediatamente a Autoridade de Antiguidades, que realizou os estudos necessários para autenticação e datação.
O ministro do Patrimônio de Israel, Rabino Amihai Eliyahu, elogiou a atitude: “Elogio Avi Chaprak, que agiu com responsabilidade e transferiu a moeda para a Autoridade de Antiguidades de Israel.” Segundo o ministro, a descoberta constitui “evidência tangível dos laços marítimos e comerciais que existiam entre a Terra de Israel e Chipre há cerca de 2.500 anos.”
De acordo com a Jerusalem Post, especialistas afirmam que a moeda foi banhada a prata porque a ilha de Chipre enfrentava escassez do metal nobre naquela época — uma prática conhecida entre os cunhadores cipriotas do período.
Rotas comerciais e o contexto bíblico
A descoberta dessa moeda cipriota lança nova luz sobre as intensas rotas comerciais que conectavam o Mediterrâneo Oriental na Antiguidade. Chipre, conhecida nas Escrituras como Chipre (Kitim, no hebraico), é mencionada diversas vezes na Bíblia, especialmente no livro de Atos dos Apóstolos.
O Novo Testamento registra que a ilha de Chipre teve papel estratégico na expansão do cristianismo primitivo. Em Atos 4:36, conhecemos José, cognominado Barnabé, levita natural de Chipre. Em Atos 11:19-20, lemos que os discípulos dispersos após a perseguição a Estêvão pregaram a palavra em Chipre. Mais adiante, em Atos 13:4-5, Paulo e Barnabé partiram de Antioquia para Chipre, iniciando a primeira viagem missionária da história.
A conexão marítima entre Chipre e a costa de Israel, hoje comprovada por esta moeda, é exatamente o cenário geográfico e econômico que sustentava essas viagens descritas nas Escrituras. O apóstolo Paulo, aliás, navegou por essas mesmas rotas. Em Atos 27, quando viajava como prisioneiro para Roma, passou por regiões próximas a Chipre. A moeda agora descoberta é uma evidência material desse vibrante intercâmbio comercial e cultural que serviu de pano de fundo para a propagação do evangelho no primeiro século.
A Israel National News destacou que a especialista Dra. Evangeline Markou, pesquisadora sênior do Instituto de Pesquisa Histórica da Fundação Nacional de Pesquisa Helênica e especialista em numismática cipriota antiga, afirmou de Atenas que “achados com proveniência exata são mais raros e, portanto, esta moeda oferece informações significativas sobre os laços comerciais e o movimento entre Chipre e a Terra de Israel durante este período.”
Arqueologia e fé: quando a ciência confirma a História
Para o público evangélico, descobertas como esta moeda cipriota têm um significado especial. A arqueologia bíblica cumpre um papel fundamental ao fornecer evidências tangíveis que corroboram o contexto histórico descrito nas Escrituras. Não se trata de “provar a Bíblia” — a fé não depende de achados materiais —, mas de confirmar que os relatos bíblicos estão inseridos em cenários históricos e geográficos reais.
A moeda cipriota descoberta em Ashdod é mais um elo dessa corrente. Ela demonstra que as rotas marítimas entre Chipre e a costa israelense existiam e eram ativas já no século V a.C., séculos antes dos eventos narrados em Atos. Isso reforça a plausibilidade histórica do texto bíblico, mostrando que os portos, as viagens e as conexões culturais descritos pelos evangelistas não são ficção, mas realidades concretas de seu tempo.
O fato de a moeda cipriota ter sido encontrada em Ashdod — uma das cinco cidades filisteias mencionadas na Bíblia Hebraica e que continuou sendo um importante porto na época romana — não é mera coincidência geográfica. Ashdod aparece em Atos 8:40 como o local para onde Filipe foi levado após batizar o eunuco etíope, demonstrando a relevância da cidade mesmo no período do Novo Testamento.
O valor de uma moeda, o peso da história
Embora uma única moeda cipriota possa parecer um objeto pequeno, seu valor histórico é imenso. Moedas são fontes primárias valiosas para a pesquisa arqueológica porque trazem consigo informações sobre economia, política, religião e cultura de um povo. Esta moeda em particular revela:
- A influência persa sobre Chipre no século V a.C.
- As técnicas de ourivesaria e metalurgia da época (banho de prata sobre metal base)
- O comércio marítimo ativo entre as ilhas do Mediterrâneo e a costa de Israel
- As conexões culturais entre cipriotas, fenícios, persas e israelitas

Yanniv David Levy observou que, durante o período persa, moedas de prata desse tipo eram frequentemente cortadas em fragmentos menores para servirem como “troco” em transações locais. O fato de esta moeda cipriota ter sido encontrada intacta é estatisticamente raro e aumenta ainda mais seu valor arqueológico.
Conclusão: um testemunho silencioso
Enquanto algumas pessoas passam a vida inteira procurando por tesouros e nunca encontram, Avi Chaprak estava apenas fazendo seu trabalho — e achou uma peça da história que estava enterrada sob a areia há mais de dois milênios. Hoje, essa moeda cipriota está sob os cuidados da Autoridade de Antiguidades de Israel, onde será estudada, preservada e, eventualmente, exposta ao público.
Para o mundo acadêmico, a moeda cipriota de Ashdod é uma peça-chave para entender as redes comerciais do Mediterrâneo antigo. Para o público evangélico, é mais uma evidência de que as narrativas bíblicas não são lendas soltas no tempo, mas relatos firmemente ancorados na história.
Como está escrito em Atos 17:26-27, Deus “determinou os tempos já anteriormente fixados e os limites da sua habitação”, e achados como este nos lembram que a história — tanto a sagrada quanto a secular — se cruzam de maneiras que continuam a surpreender e fortalecer a fé de muitos.
Por Leonardo Souza
Redação Portal do Crente
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