Blasfêmia de Lula: ao dizer que Deus “ainda não acabou” o mundo, presidente contraria a Bíblia e indigna evangélicos

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A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a convenção que oficializou sua candidatura à reeleição, em agosto de 2026, ou como está sendo chamada, a “blasfêmia de Lula” causou indignação entre lideranças e fiéis evangélicos em todo o Brasil. Ao comparar o próprio governo à obra da criação, o petista afirmou que “Deus levou sete dias para fazer o mundo e ainda não acabou”. Para milhões de cristãos, a fala — recebida como uma verdadeira blasfêmia de Lula — distorce o relato bíblico, banaliza o nome do Criador e expõe, mais uma vez, o abismo entre a ideologia petista e os preceitos do Evangelho de Cristo.

O que Lula disse e o contexto da fala

A blasfêmia de Lula ocorreu durante o discurso em que o partido oficializou a candidatura do atual presidente à reeleição. Na ocasião, Lula defendeu a continuidade de seu projeto de governo recorrendo a uma analogia com a criação do mundo. “Deus levou sete dias para fazer o mundo e ainda não acabou”, afirmou, em fala registrada e amplamente repercutida nas redes sociais e na imprensa, como repercutiu o portal Pleno.News.

A frase, usada para justificar a permanência do petismo no poder como uma espécie de “obra inacabada”, foi interpretada por pastores, teólogos e leigos como uma apropriação irreverente de um texto sagrado, popularmente nominada na internet como a blasfêmia de Lula. Não é a primeira vez que o presidente utiliza a fé como metáfora política mas, desta vez, o alvo da comparação foi a própria narrativa bíblica da criação, o que elevou o tom da reação.

O que a Bíblia realmente ensina: a criação foi concluída

O ponto central da indignação cristã em relação à blasfêmia de Lula não é político, e sim teológico. O livro de Gênesis, capítulo 1, descreve a obra da criação ao longo de seis dias, na qual Deus forma os céus, a terra, a luz, os animais e, por fim, o ser humano. O capítulo 2 encerra o relato de forma categórica: “Assim os céus, a terra e todo o seu exército foram acabados. E, havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito” (Gênesis 2:1-2).

A Escritura não deixa margem para dúvida: Deus terminou a criação e declarou que tudo era “muito bom” (Gênesis 1:31). O que permanece em atividade não é a obra da criação, mas a obra da providência — Deus sustenta, governa e age na história — e a obra da redenção, que culmina em Cristo. Ao afirmar que o Criador “ainda não acabou”, a fala de Lula apresenta um Deus inacabado, como se a criação estivesse em eterno processo de aperfeiçoamento. Para a teologia evangélica, isso não é apenas um erro de interpretação: é uma afronta à majestade de um Deus que se revela como o Alfa e o Ômega, aquele que começa e conclui o que começou.

O apóstolo Paulo adverte que “não vos enganeis: Deus não se zomba” (Gálatas 6:7). A zombaria, aqui, não precisa ser um deboche explícito: ela também acontece quando o sagrado é reduzido a um recurso retórico para fins eleitorais. Foi exatamente essa a leitura de milhares de cristãos que ouviram a frase e sentiram o nome do Senhor sendo usado como pano de fundo para uma convenção partidária.

O abismo entre a ideologia do PT e o Evangelho

A polêmica da blasfêmia de Lula não se limita à frase em si. Ela escancara o distanciamento histórico entre o projeto político do PT e os valores defendidos pelas Escrituras. A agenda petista, ao longo de décadas, foi construída sobre pilares que contradizem frontalmente os princípios bíblicos: a defesa da descriminalização do aborto, a imposição da ideologia de gênero nas escolas, o relativismo moral e o enfraquecimento da família como instituição ordenada por Deus.

A história recente documenta essa trajetória. A VEJA lembra que o PT, embora tenha nascido nas comunidades eclesiais de base ligadas à Igreja Católica, transformou-se ao longo dos anos em um partido de elite, marcado por escândalos de corrupção que afastaram o eleitorado evangélico. Mensalão, petrolão, delações e condenações construíram um antipetismo que, no campo religioso, se traduziu em rejeição maciça nas urnas.

Diante disso, o que se vê agora é uma contradição evidente: o mesmo partido que historicamente militou contra os valores cristãos tenta, a cada eleição, se aproximar dos evangélicos e o faz, desta vez, colocando na boca do presidente. A blasfêmia de Lula é uma distorção do relato da criação. Não se trata de uma simples metáfora infeliz; trata-se de um sintoma de como o petismo enxerga a fé: como um instrumento, e não como uma verdade a ser respeitada.

A contradição do “uso eleitoral da fé”

O episódio da blasfêmia de Lula ganha contornos ainda mais graves quando confrontado com o discurso oficial do próprio partido. Em carta divulgada aos evangélicos, o PT declarou que compartilha “do entendimento do próprio presidente de que não se deve tirar proveito político de uma coisa sagrada”. A ironia é devastadora: na prática, o presidente fez exatamente o contrário, ao usar a criação do mundo como argumento para a continuidade de seu governo.

A VEJA também resgata o histórico pessoal do petista nesse tema: em 2006, disputando a reeleição, Lula discursou em um grande culto na Assembleia de Deus, no Rio de Janeiro, diante de cerca de 3 mil pastores e bispos, e declarou: “Somos todos crentes e amamos este país”. Dezessete anos depois, o mesmo Lula afirmou que não se deve “tirar proveito político de uma coisa sagrada” — e agora, em plena convenção partidária, voltou a instrumentalizar a fé. A trajetória fala por si: para o petismo, a religião só é sagrada quando não atrapalha a campanha.

Otoni de Paula: o pastor que propõe uma “direita com Lula”

Se a blasfêmia de Lula causou escândalo, outro episódio deixou o meio evangélico ainda mais perplexo: o anúncio do pastor e deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) de que defenderia o voto em Lula, em movimento que desafia o bolsonarismo e divide opiniões entre os evangélicos. A notícia, repercutida pela imprensa, pegou muitos fiéis de surpresa — afinal, trata-se de um pastor da Assembleia de Deus, que por anos se posicionou publicamente na trincheira conservadora.

A contradição é evidente e foi apontada por críticos de todos os lados. Em entrevista recente, o próprio Otoni de Paula afirmou que as igrejas “se perdem ao incorporar projetos políticos” e que a fé “não é de Lula nem de Bolsonaro”, como registrou o Congresso em Foco. Ora, se o uso político da fé é um risco que ele mesmo denuncia, como defender uma aliança com um partido cuja agenda histórica — aborto, ideologia de gênero, relativismo moral — contraria ponto por ponto os valores que a Bíblia defende?

Imagem que ilustra o Pr Otoni de Paula propondo aliança com Lula. Mais uma contadição diante da recente blasfêmia de Lula.

A proposta de uma “direita com Lula” carrega uma incoerência estrutural: não existe direita cristã que defenda a vida desde a concepção, a família e a liberdade religiosa sentada à mesma mesa de um projeto político que historicamente promove o oposto. Princípios não se alinham por conveniência eleitoral. Quando um pastor abre mão de convicções para abraçar uma aliança ideologicamente antagônica, o que fica evidente não é a força do diálogo — é a fragilidade do compromisso com a Palavra.

A Bíblia é clara ao advertir que “andai como filhos da luz” (Efésios 5:8) e que não se pode “servir a dois senhores” (Mateus 6:24). No campo político, essa advertência se traduz em uma pergunta simples: é possível, em sã consciência, apoiar um projeto que contraria as Escrituras em nome de uma estratégia partidária? Para a maioria dos evangélicos brasileiros, a resposta é um sonoro não.

Um chamado à fidelidade, não a partidos

O episódio da blasfêmia de Lula e a polêmica em torno de Otoni de Paula não devem ser reduzidos a uma disputa eleitoral entre siglas. A questão de fundo é espiritual. O cristão é chamado a orar pelas autoridades — a Bíblia ordena: “Antes de tudo, exorto que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade” (1 Timóteo 2:1-2). Mas orar pelas autoridades não significa silenciar diante da afronta ao nome de Deus, nem se curvar a projetos que contradizem a Escritura.

A criação concluída por Deus é a base da esperança cristã: se o Senhor terminou a sua obra e a declarou boa, Ele também é fiel para concluir a sua obra em cada vida (Filipenses 1:6). Nenhum discurso político, por mais eloquente que seja, pode reescrever o que Deus já escreveu. E nenhuma aliança, por mais conveniente que pareça, pode justificar o abandono dos princípios do Evangelho.

Que este episódio, a blasfêmia de Lula, sirva de alerta para a Igreja brasileira: o tempo em que a fé era respeitada como sagrada só será preservado se os cristãos dentro e fora dos púlpitos permanecerem firmes na convicção de que a Palavra de Deus é a única autoridade. Diante da blasfêmia de Lula, a resposta do povo de Deus não é o ódio, mas a fidelidade. Diante da incoerência, a resposta não é a adesão, mas o discernimento. Porque, no final, não é a política que julga a Palavra é a Palavra que julga a política. A blasfêmia de Lula deve ser respondida nas urnas pelos evangélicos e bem posicionada pelos pastores nos púlpitos das Igrejas.

Por: Jorge M.
Redação Portal do Crente

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