O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) participou, neste sábado (10), da celebração do centenário da Assembleia de Deus Ministério Madureira, realizada no Maracanãzinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Em um evento que reuniu milhares de fiéis, Flávio Bolsonaro discursou em tom religioso, afirmou que o Brasil vive uma “guerra espiritual” e recebeu o apoio explícito de líderes da igreja — um gesto de forte impacto simbólico na reta final da disputa pelo Palácio do Planalto.
Presença do candidato no evento evangélico
A presença de Flávio Bolsonaro no palco do Maracanãzinho ocorreu em um dia simbólico para o segmento evangélico: a festa dos 100 anos da Assembleia de Deus Ministério Madureira, uma das maiores denominações pentecostais do país. O candidato chegou ao ginásio por volta das 15h30, acompanhado do governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), e foi recebido com aplausos de pé e gritos de “é 22”, número do Partido Liberal.

O evento começou por volta das 14h. Inicialmente, a imprensa não estava liberada para a cobertura e aguardou em frente ao portão 8 do Maracanãzinho. Por volta das 16h, os jornalistas foram autorizados a entrar, recebendo pulseiras de identificação no portão 6. Ao final da celebração, Flávio Bolsonaro e Douglas Ruas deixaram o local sem falar com a imprensa.
“Guerra espiritual” e discurso religioso
No palco principal, Flávio Bolsonaro adotou um discurso marcadamente religioso. “Não pensem que é fácil sair de casa todos os dias e enfrentar, além de inimigos mentirosos, que tentam usar a arma do diabo, que é a mentira, para enganar muita gente, e mais do que isso, pessoas que são perigosas. Enfrentá-las não é fácil”, declarou o candidato, que afirmou que o Brasil vive uma “guerra espiritual”.
Segundo relatos, Flávio Bolsonaro disse estar apegado ao “projeto de Deus para nossa nação” e que a “vontade Dele prevalecerá”. Ele também cantou a música “Hino da Vitória” acompanhado do coro da igreja, em um momento de aproximação com os fiéis que repercutiu nas redes sociais.
O discurso de Flávio Bolsonaro também projetou um desfecho favorável ao grupo político no segundo turno. “Jair Bolsonaro ficará livre e Madureira estará lá. O Brasil vai ter um novo presidente e Madureira estará lá”, afirmou, ao encerrar a fala.
Apoio explícito de líderes da igreja
O momento de maior repercussão do evento, no entanto, veio da fala do Bispo Samuel Ferreira, presidente executivo da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil (Conamad). Antes de chamar Flávio Bolsonaro ao microfone, o bispo pediu que o público repetisse por dez vezes a frase “irmão vota em irmão” e declarou que os evangélicos têm “saudade” de Jair Bolsonaro, pai do candidato.
“Se a mídia aqui presente disser que eu estou pedindo voto, está completamente equivocada. Eu só estou dizendo que irmão vota em irmão. Se eu pudesse pedir voto, eu pediria. Pediria voto para o Flávio, porque o Flávio é honesto. Pediria voto para o Flávio, porque o Flávio é sério. Pediria voto para o Flávio, porque o Flávio é crente. Pediria voto para o Flávio, porque foi ele o indicado pelo presidente”, afirmou Samuel Ferreira, em declaração registrada pela imprensa.
O apoio de Samuel Ferreira a Flávio Bolsonaro é visto por analistas como um sinal relevante da mobilização evangélica em torno da candidatura bolsonarista. O bispo também criticou a prisão de Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado, e questionou: “Que país é esse?”. Ao mesmo tempo, fez um gesto de conciliação religiosa, pedindo aplausos aos católicos — religião de Jair Bolsonaro — e a todas as religiões.
Presença de aliados e autoridades
Além de Flávio Bolsonaro, o palco do Maracanãzinho reuniu importantes aliados. O governador eleito Douglas Ruas (PL) participou da celebração logo após o Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) retotalizar os votos e reconhecer sua vitória no primeiro turno, após a anulação de 274.411 votos de Anthony Garotinho pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“Não teria lugar melhor para estar nesse momento de retotalização do que na casa do Senhor”, afirmou Ruas, que também discursou sobre a importância do ginásio lotado. “Ver esse ginásio lotado aqui hoje é a certeza de que a igreja do Senhor permanece firme”, completou.
Também estiveram presentes o deputado federal reeleito Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ) e o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Malafaia, que ficou ao lado de Flávio Bolsonaro no palco, foi convidado a falar e fez um discurso de pregação, sem menções políticas diretas. Ao fim do evento, Flávio Bolsonaro, Ruas e Malafaia receberam uma Bíblia comemorativa do centenário e um livro sobre a história da igreja.
Contexto eleitoral e repercussões
A participação de Flávio Bolsonaro no Maracanãzinho acontece em um momento decisivo da campanha. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, o candidato do PL obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou com 45,16%, o que levou a disputa ao segundo turno. O evento evangélico é visto como parte da estratégia de Flávio Bolsonaro de consolidar o apoio do eleitorado religioso, um dos principais redutos do bolsonarismo.
A agenda de Flávio Bolsonaro no Rio também ocorre em meio a um cenário de movimentações políticas. Neste sábado, o governador do Paraná, Ratinho Júnior, anunciou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno. Já o deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que Jair Bolsonaro indicará ministros caso Flávio Bolsonaro vença as eleições.
A presença de Flávio Bolsonaro em um evento religioso de grande porte reforça a centralidade do tema da fé na campanha. Nos últimos meses, o candidato tem adotado pautas e discursos ligados ao universo evangélico, como a promessa de declarar o Brasil “do Senhor Jesus Cristo”. A aproximação com líderes como Samuel Ferreira e Silas Malafaia integra essa estratégia de Flávio Bolsonaro de ampliar a base religiosa.
Cautela com dados e necessidade de confirmação
É importante destacar que parte das informações sobre o evento ainda depende de confirmação em fontes oficiais. Os percentuais do primeiro turno e a retotalização dos votos no Rio foram divulgados pela Justiça Eleitoral e pela imprensa, mas os números finais devem ser conferidos nos canais oficiais do TSE e do TRE-RJ. Da mesma forma, eventuais divergências sobre o número exato de participantes no Maracanãzinho e sobre os termos exatos de alguns discursos exigem verificação junto às gravações oficiais e às assessorias.
A fala de Flávio Bolsonaro sobre “guerra espiritual” e o apoio declarado de Samuel Ferreira foram amplamente repercutidos por veículos como Valor Econômico, O Globo, UOL e g1, que registraram o evento ao longo do sábado. A cobertura aponta que a celebração do centenário da Assembleia de Deus Ministério Madureira se tornou, na prática, um palco de articulação política em torno de Flávio Bolsonaro na reta final da disputa.
Com o segundo turno se aproximando, a expectativa é que Flávio Bolsonaro intensifique a agenda de eventos religiosos e de rua para consolidar o eleitorado evangélico e ampliar sua vantagem. O episódio no Maracanãzinho, ao reunir apoio explícito de lideranças da Assembleia de Deus, sinaliza a força dessa mobilização — e coloca a presença de Flávio Bolsonaro no centro do debate político das próximas semanas.
Raphael M. – Redação Portal do Crente
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