Nos últimos meses, um dado perturbador ganhou as manchetes dos principais veículos do país: cerca de 40% das mulheres assassinadas no Brasil são evangélicas. O levantamento, divulgado em reportagem da Folha de S.Paulo, coloca a fé no centro de um debate que muitas igrejas ainda evitam encarar. Por que tantas mulheres evangélicas assassinadas viveram, por anos, dentro de um ciclo de violência que ninguém interrompeu?
A pergunta não é retórica. A pesquisa “Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil”, produzida pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha, revela que 42,7% das mulheres evangélicas já sofreram algum tipo de violência — percentual bem acima da média nacional, de 32,4%. O número de mulheres evangélicas assassinadas não sobe por acaso: ele cresce em um ambiente onde denunciar ainda é confundido, por muita gente, com falta de fé.

Falar abertamente sobre mulheres evangélicas assassinadas exige coragem. Exige admitir que o púlpito, quando mal usado, pode se tornar cúmplice do silêncio. E exige resgatar o que a própria Bíblia ensina sobre o valor da vida.
O que os dados revelam sobre as mulheres evangélicas assassinadas
O Atlas da Violência, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Ipea, confirma uma tendência nacional preocupante: os feminicídios seguem crescendo no país. Segundo dados divulgados pelo Senado Federal, 2025 registrou o maior número de feminicídios da série histórica, com alta de 4,7% em relação ao ano anterior. Entre as vítimas, as mulheres evangélicas assassinadas ocupam uma fatia que não corresponde ao seu peso na população.
Um levantamento da Revista Cenarium reforça o quadro: 42,7% das evangélicas foram vítimas de parceiros íntimos, e a subnotificação é altíssima. Quando se observa o perfil dessas mulheres, percebe-se que a maioria é negra, periférica e mãe. A violência que atinge as mulheres evangélicas assassinadas se soma, portanto, a outras desigualdades históricas do Brasil.
Não há como enfrentar esse problema sem olhar de frente para a realidade das mulheres evangélicas assassinadas nas periferias e nas grandes cidades. Os dados, por si sós, já seriam suficientes para acender o alarme em qualquer comunidade de fé.
Por que tantas mulheres evangélicas assassinadas permanecem em silêncio
Entender o silêncio é entender por que a estatística de mulheres evangélicas assassinadas continua a subir. Em muitas comunidades, a violência é tratada como “provação”, “cruz a carregar” ou “assunto de casa”. A pressão para preservar o casamento — apresentado, por vezes, como valor absoluto — mantém vítimas presas a agressores por décadas.

A teóloga Valéria Cristina Vilhena, em entrevista ao Brasil de Fato, foi direta: nenhuma violência pode ser justificada em nome da fé. Para a pesquisadora, a subnotificação torna as mulheres evangélicas assassinadas ainda mais invisíveis, porque o medo de desonrar a família e o temor de represália espiritual pesam mais do que a própria denúncia.
Uma análise publicada pelo Le Monde Diplomatique Brasil acrescenta outro elemento ao debate: a centralidade do matrimônio e a radicalização política vulnerabilizam meninas e mulheres de forma crescente. Nesse cenário, casos de mulheres evangélicas assassinadas deixam de ser tratados como crime e passam a ser interpretados como “problema de casal”. Enquanto a igreja não nomeia o problema com clareza, o número de mulheres evangélicas assassinadas segue crescendo longe dos holofotes.
A leitura da Bíblia que não legitima a violência
Passagens como Efésios 5 são frequentemente citadas pela metade, ignorando o mandamento que vem logo depois, no qual o apóstolo ordena ao marido amar a esposa como Cristo amou a igreja. Interpretações que naturalizam o abuso transformam um texto de cuidado em ferramenta de dominação — e ajudam a engrossar, indiretamente, o número de mulheres evangélicas assassinadas.
Um artigo publicado pelo Congresso em Foco lembra que a omissão institucional das igrejas diante de casos de agressão é estrutural. Quando o sofrimento das mulheres evangélicas assassinadas é minimizado como “questão interna”, a comunidade de fé deixa de exercer seu papel de proteção e acolhimento.
Em contrapartida, a Escritura lida por inteiro é um manifesto de dignidade. Em Gálatas 3.28, Paulo afirma que, em Cristo, não há homem nem mulher. Provérbios 31, o livro de Rute e o próprio ministério de Jesus — que acolheu mulheres marginalizadas — desmontam qualquer base bíblica que pretenda legitimar a violência contra as mulheres evangélicas assassinadas.
O papel da igreja diante das mulheres evangélicas assassinadas
Se o problema é grave, a resposta pode nascer dentro dos templos. Lideranças que compreendem a realidade das mulheres evangélicas assassinadas têm transformado suas comunidades em espaços seguros, com pastores capacitados, aconselhamento feito por profissionais e parcerias com a rede pública de proteção.
A Agência Patrícia Galvão reúne dados e fontes que ajudam famílias e igrejas a compreender a dimensão do problema. Já o Correio 24 Horas destacou, a partir de pesquisa acadêmica, a “falta de engajamento das igrejas evangélicas diante da violência doméstica” como um dos principais gargalos. Igrejas que acolhem de fato contribuem para reduzir o número de mulheres evangélicas assassinadas, e é justamente essa a rede de proteção que impede que mais mulheres evangélicas assassinadas sejam contabilizadas a cada ano.
Movimentos de mulheres evangélicas, como os que tomaram as ruas de Salvador em março de 2026, mostram que fé e denúncia caminham juntas. O Observatório Evangélico reforça que racismo, machismo e misoginia se retroalimentam — e que enfrentar a violência que vitima as mulheres evangélicas assassinadas exige olhar também para o racismo e para a desigualdade social.
Onde buscar ajuda
Ninguém precisa enfrentar essa dor sozinho. O Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher — funciona 24 horas por dia, é gratuito e confidencial, oferecendo orientação e encaminhamento para a rede de proteção. O canal atende todas as mulheres, inclusive aquelas que hoje estão apenas em situação de risco e que podem, sem apoio, entrar na estatística de mulheres evangélicas assassinadas.
Além do Ligue 180, estão disponíveis as Delegacias da Mulher, as Casas da Mulher Brasileira, a Defensoria Pública e o Ministério Público. Denunciar é o primeiro passo para proteger a vida de quem, hoje, corre o risco de se somar às mulheres evangélicas assassinadas no país. O silêncio protege o agressor; a denúncia protege a vítima.
Um chamado à igreja
As mulheres evangélicas assassinadas no Brasil não podem continuar sendo tratadas como número de relatório. Cada uma delas tinha nome, história, família e fé.
A igreja que silencia diante da agressão falha com sua missão; a igreja que acolhe, denuncia e cuida cumpre o evangelho. Que os púlpitos falem, que os lares se abram, e que nenhuma mulher precise morrer para que a estatística de mulheres evangélicas assassinadas finalmente comece a cair. Quando a igreja assume seu papel, a lista de mulheres evangélicas assassinadas deixa de crescer — e a vida volta a ser tratada como dádiva, não como estatística.
Leonardo Souza
Redação Portal do Crente
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