Mais um cristão é preso por blasfêmia

Um cristão com dificuldades mentais foi levado à prisão no dia do velório do filho

O aposentado e pai de nove filhos, Iqbal Masih, de 65 anos, vive na colônia Fazlia na cidade de Lahore. Trata-se de um bairro cristão com cerca de mil habitantes. O aposentado vem experimentando problemas de saúde mental há algum tempo, e por isso vive medicado. Muhammad Waqas, que prestou queixa, disse à Portas Abertas que sempre que Masih não toma seus remédios, ele vai para a rua e grita com as pessoas que estão passando.

Um familiar próximo dos Masihs, que deseja permanecer anônimo, disse a um colaborador local que o filho do aposentado, Bobby, morreu após uma doença simples e que seu pai havia parado de tomar sua medicação. “O corpo de Bobby estava em casa e as pessoas do bairro faziam visitas quando Iqbal começou a gritar palavras abusivas”, disse Waqas.

“Iqbal recitou o kalima (uma proclamação islâmica de fé) e gritou. Percebendo que ele não estava se comportando normalmente, a polícia foi chamada para levá-lo a fim de que alguma tensão entre cristãos e muçulmanos da região não fosse levantada”, complementa.

Mas Dilraj John, um vizinho, disse que vários religiosos muçulmanos se irritaram com os comentários de Masih. “Alguns queriam incendiá-lo, mas outras pessoas sensatas sugeriram que Masih fosse entregue à polícia por estar passando por uma crise de saúde mental”, disse ele. “Desde então, a situação está sob controle e os conflitos religiosos parecem ter diminuído. O único motivo da queixa foi o palavreado de Igbal”, complementa.

Justiça ou injustiça?

Waqas pediu à polícia que enviasse o cristão novamente a um asilo para pessoas que necessitam de ajuda mental. “Todos estão fartos dele. É por isso que os vizinhos também concordaram que ele fosse entregue à polícia”, declara Waqas.

Um relatório da Anistia Internacional observa: “O Código Penal do Paquistão isenta da perseguição criminal aqueles que, por falta de sanidade mental, são incapazes de conhecer a natureza do agir, ou que fazem algo que é errado ou contrário à lei. No entanto, o fardo para provar a ‘insanidade’ está sobre o acusado, cuja dificuldade é agravada dentro de um contexto de falta de conscientização sobre pessoas com doenças mentais no Paquistão”.

Fonte: Portas Abertas

 

Sobre o Autor

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *